ENERI - PORTUGAL

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1º ENCONTRO de ESTUDANTES de RELAÇÕES INTERNACIOANIS

sábado, 20 de outubro de 2007

Iniciativa - Levanta-te, Faz-te Ouvir, Contra a Pobreza



Em 2006, 23.5 milhões de pessoas em todo mundo levantaram-se contra a pobreza.
Um novo recorde do Guinness foi estabelecido.

Estes milhões de vozes recordaram aos líderes mundiais que a cada dia que passa 50 mil pessoas morrem de pobreza extrema e que o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior.

Trata-se de um pequeno grande contributo, no sentido da mobilização da população académica – alunos, docentes e funcionários – transmitindo uma mensagem clara: queremos acabar com a pobreza extrema.

A iniciativa constituirá, em essência, na leitura do manifesto contra a pobreza e num determinado momento em que as pessoas envolvidas estarão de pé mostrando que querem acabar com a pobreza.


Também no ISCSP foi divulgada esta iniciativa, ocorrida no dia 17 de Outubro, da qual retirámos as seguintes imagens:
Às 13horas alunos, funcionários e docentes reuniram-se no pátio da universidade, e após a leitura do manifesto levantaram-se contra a pobreza e agitaram folhas brancas no ar. Esteve disponível uma faixa branca onde se pode deixar uma mensagem contra a pobreza.


A campanha Levanta-te contar a pobreza é uma iniciativa do Projecto Pobreza Zero e da Campanha do Milénio:

Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), assumidos pelos governos nas Nações Unidas de reduzir para metade a pobreza extrema até 2015, estão em risco (in http://www.pobrezazero.org/levantate/index.html)


Link: http://www.pobrezazero.org/levantate/files/Registo_levantate.htm

domingo, 14 de outubro de 2007

Pacta ed.III - Médio Oriente

A Problemática do Hijab
O uso do hijab (lenço) foi, há algum tempo, motivo de grande debate na Europa. No entanto, a questão foi mais acesa em França do que em qualquer outro lugar.
Na raiz das dores de cabeça europeias com o hijab está o medo do extremismo muçulmano, mas será que manter o cerco a um símbolo garante a segurança de um Estado? Arrisco uma resposta: a proibição do uso do hijab, ou de qualquer outra peça de vestuário muçulmana constituirá um claro obstáculo ao já difícil processo de integração das comunidades muçulmanas na Europa.
Embora muitas mulheres sejam obrigadas a cobrir-se, muitas fazem-no de livre vontade. Para estas mulheres, o hijab constitui uma parte indispensável da sua identidade pessoal e, como tal, não deveria ser posta em causa. O hijab representa os valores tradicionais de honra, virtude, modéstia e competência no lar.
As mulheres muçulmanas escolhem cobrir-se por diversas razões. Algumas fazem-no para parecerem honradas, ganhando assim o respeito na sua comunidade local. Outras encaram-no ao contrário das suas arrojadas roupas ocidentais, como uma protecção contra os indiscretos comentários e o assédio sexual de que, por vezes, são vítimas. Neste caso, poder-se-á ver no uso do lenço uma reivindicação de cariz feminista, ou seja, o hijab obriga os homens a respeitá-las, não pela sua aparência mas pelo seu intelecto. Há ainda a acrescentar as mulheres que o usam por uma questão estética, tanto em voga no seio de algumas muçulmanas abastadas, que demonstram os seus lenços coloridos de marca patenteada.
Em contrapartida, há mulheres que são obrigadas a cobrirem-se pelos maridos e pais. Para estas mulheres, o lenço é muitas vezes a única solução, se não querem que os pais as proíbam de frequentar escolas mistas. Nestes casos, estados como a França e Turquia, que adoptaram políticas de proibição do seu uso em escolas públicas, impedem muitas raparigas de conseguirem uma educação, diminuindo assim as possibilidades de uma integração adequada na sociedade.
Este é, sem dúvida, um debate com muitos prós e contras. Talvez fosse melhor que os Estados apostassem na promoção de mais e melhores políticas de integração no combate ao tão assustador extremismo muçulmano. O mesmo alerta serve para as feministas ocidentais que promovem os direitos das mulheres. Respeitem o direito de escolha das muçulmanas no lugar de tentarem impor os seus preconceitos ocidentais.
P.S. Artigo originalmente escrito para o jornal Pacta, do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Iniciativa - Procura-se o Melhor Português para ir ao Ártico

PROCURA-SE O MELHOR PORTUGUÊS PARA IR NUMA EXPEDIÇÃO AO ÁRTICO!

Sim, continuamos à procura!


Para ti que já tiveste um primeiro contacto com o programa Climate Change College da Ben&Jerry's, aqui fica informação mais detalhada:


Este programa tem como objectivo, inspirar jovens dos 18 aos 30 anos a desenvolver negócios orientados para a problemática do aquecimento global enquanto se divertem.


O concurso consiste num programa de negócios monitorizado (que vale 21 mil euros por estudante) e um incentivo monetário de 7.000 mil euros para o lançamento de um projecto único. O programa é na sua maioria on-line com um monitor individual, à excepção de 2 workshops internacionais, e de uma viagem científica de campo ao Ártico em Abril de 2008. Todas a viagens são pagas pela Ben&Jerry’s e compensadas (em termos de CO2) pela "Cool Your Jets" que investe em projectos de energias renováveis.


CANDIDATA-TE ATÉ 24 DE OUTUBRO DE 2007!!!



Preenche o formulário que se encontra em:

http://mcsv.net/cgi-bin/redir?MCid=3U9wRC6a5INGKG9lgNvM

e envia um e-mail para barbara.leao@unilever.com e para info@climatechangecollege.org até 24 de Outubro.



ACHAS-TE CAPAZ?

ENTÃO ALINHA NESTE MEGA DESAFIO E INSCREVE-TE JÁ!

PARA SABERES MAIS, PÕE-TE ON-LINE EM:

http://mcsv.net/cgi-bin/redir?MCid=Mr53zjjAw4NGKG9lgNvM

http://mcsv.net/cgi-bin/redir?MCid=HhiW6JqN8aNGKG9lgNvM


Ben&Jerry's Peace, Love & Icecream

Abertura do Ano Curricular 2007/08

Caros Colegas,

Em primeiro lugar e em nome do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais gostaria de vos dar as Boas Vindas e desejar muita sorte para a vossa estadia no ISCSP. Somos um grupo de alunos da licenciatura de Relações Internacionais, de todos os anos, o que é uma mais valia para vocês, alunos de primeiro ano, que começam a partir de agora uma nova etapa da vossa vida. É um período difícil mas temos a consciência de que vamos sair bem preparados e aptos para enfrentar todas as dificuldades que vamos encontrar aquando da entrada no mercado de trabalho.

Enquanto grupo estudantil, interessado em assuntos relacionados com a esfera internacional em que nos encontramos inseridos, dedicamo-nos principalmente à organização de eventos, como conferências, debates, etc..onde podemos aprofundar os nossos conhecimentos numa área tão vasta como as Relações Internacionais. Pensamos que quando se pretende a excelência do ensino, este deve ser complementado com actividades extra-curriculares, de modo a obtermos um conhecimento mais abrangente das problemáticas que marcam a nossa actualidade política, económica, social e até mesmo cultural. Porém não nos ficamos por aqui, procuramos sempre acompanhar os processos de transição que ocorram na nossa faculdade, como foi o caso do Processo de Bolonha. Participamos também na organização de simulações (por exemplo de situações de crise onde se procura chegar a um consenso, aprendendo como funcionam as altas instâncias inter-governamentais, não governamentais).

Desta forma, e sem vos chatear demasiado logo na primeira edição do nosso PACTA, quero apenas dizer que podem contar connosco para aquilo que precisarem, pois sabemos as dificuldades que podem vir a passar. Somos colegas e acima de tudo amigos que esperam que atinjam o maior sucesso possível.


Sinceros Cumprimentos,
Coordenador do NERI,
Jorge Piteira Martins

Pacta ed.III - Oceânia

O Convénio APEC 2007 Sidney – Uma Janela para o State of the Art das RI

A edição deste ano da APEC Summit, o Convénio anual do fórum Asia-Pacific Economic Cooperation, demonstrou de uma forma inequívoca o actual jogo de política que decorre no que concerne as grandes temáticas que afectam a segurança e estabilidade internacionais.

Decorrido nos dias 8 e 9 de Setembro, na cidade onde foi realizado o primeiro APEC Summit em 1989, a reunião de vinte e um países da orla pacífica procurou subscrever os princípios que regem a sua fundação: Nós concordámos no compromisso mútuo de atingir uma integração económica regional, num mercado livre e aberto e para a segurança dos nossos povos. Contudo, nem nas sucessivas reuniões dos líderes das referidas nações nem sequer nos eventos protocolares transpareceu o expectável clima cerimonial e de auspícios promissores para um futuro em coexistência pacífica.

Na sua declaração oficial à chegada a Sidney, George W. Bush Jr. expressa os seus agradecimentos ao seu homólogo John Howard, o Primeiro-Ministro Australiano, pelo convite ao OPEC summit. Mais tarde, e enquanto referia o panorama mais alargado da comunidade internacional, refere-se às tropas australianas como austríacas. Até aqui nada de novo, não fora a falta de uma resolução clara e vinculativa saída deste convénio. Como seria previsível, o compromisso mútuo cedo deu lugar à negociação de questões directamente relacionadas com as grandes potências regionais. Para além da declaração do desenvolvimento de futuros pactos económicos e de progresso recíprocos, assistiu-se à predominância da política sob a mesa, com a Rússia, Japão, Austrália, China e Estados Unidos a negociarem bi e multilateralmente. Na agenda estão três tópicos, embora não desconexos uns dos outros: Economia; Segurança; Energia;

Começando com a Rússia, esta desenvolveu diversos mas tímidos esforços para assegurar o contínuo e, de certa forma, privilegiado fluxo comercial de urânio com a Austrália, colocando de parte negociações armamentistas e energéticas que têm ocorrido com maior intensidade em meses passados. Relativamente ao Japão, conturbações internas que questionam o desempenho do seu Primeiro-Ministro perpetuam o seguimento de uma soft power foreign policy, maioritariamente focada nas rotas energéticas que transpõem o Mar do Sul da China e directamente por território continental chinês, sobretudo no que diz respeito a petróleo e gás natural. Esta prossegue ininterruptamente a sua busca por uma fonte segura de crescimento, já que plataformas petrolíferas e explorações mineiras de carvão têm reflectido um custo demasiado alto no seu meio ambiente. Com efeito, defende veementemente a necessidade das Nações Unidas tomarem o Aquecimento Global como o topo das suas prioridades em futuros encontros, nomeadamente em Bali no final deste ano ou em meados de 2008.

Finalmente, os Estados Unidos parecem querer manter o seu grau de influência na região, não arriscando novas retóricas nem tomando iniciativa para resolução de problemáticas partilhadas com os restantes membros da APEC. Pelo contrário, quer os discursos nos média quer em estratégias relacionais com os seus parceiros, os Estados Unidos desenvolvem uma política externa afastada das grandes mesas de discussão de fóruns internacionais como este. Mas seria presunçoso assumir que com o APEC Summit 2007 algo começou em termos de relações internacionais. Foi antes o contrário, em Sidney espelharam-se as contemporâneas correntes das políticas externas das grandes potências.


Tiago Alexandre Maurício

Pacta ed.III - Ásia

A Instável Ásia

Actualmente em Myanmar tem sido abalada pelos protestos pacíficos dos monges budistas que têm como objectivo demonstrar descontentamento contra o regime militar ditatorial que controla os destinos do país desde 1988. Só no passado dia 22 de Setembro dez mil monges Budistas desfilaram pelo centro da capital do país, Yangon, num protesto que já dura à vários dias e tende a crescer em número de aderentes. Apesar do descontentamento no país não ser de hoje, pois já em 1988 os militares haviam esmagado uma demonstração pró-democrata liderado pelo laureado com um prémio Nobel Aung San Suu Kyi, que passou 12 dos últimos 18 anos na prisão, este protesto começa a ganhar proporções ameaçadoras para o poder instituído. Este movimento pacífico nasce do pedido dos monges para que o governo pedisse desculpa pela violência com que reprimiu um protesto no passado dia 5 de Setembro na cidade de Pakokku no norte de país, pedido esse a que a junta militar não ouviu.

Também o Japão não conseguiu evitar uma outra perturbação política pois um ano após a sua eleição, Shizo Abe demitiu-se do cargo de primeiro-ministro fazendo cair o governo levando o país muito provavelmente a eleições gerais antecipadas. Esta decisão vem no seguimento de uma série escândalos que afectaram o governo nos últimos meses, com o suicídio de um ministro, um número elevado de demissões e acusações de corrupção, passando por um desastre eleitoral do seu partido, o Partido Democrático Liberal na Câmara Alta do Parlamento e grandes alterações nos gabinetes ministeriais no mês de Agosto. A sua manutenção no poder tornou-se impossível quando a oposição que domina a Câmara Alta se recusou a apoiar as suas propostas, tornando a governação muito difícil.

No Paquistão, está previsto para o próximo dia 18 de Outubro o regresso da primeira-ministra no exílio, Benazir Bhutto. Membro da família Bhutto que está para o Paquistão como os Nehru-Gandhi estão para a Índia. Uma mulher forte que lutou no exílio contra o General Zia no final da década de 80, tendo mais tarde sido Primeira Ministra entre 1988 e 1996. Devido a acusações de corrupção foi nesse mesmo ano novamente para o exílio. Actualmente com a liderança do General Musharraf em grande crise, Benazir volta e é esperada uma coligação entre os dois, mantendo o primeiro a Presidência da República e a segunda adquirindo novamente o cargo de Primeira-Ministra.


Frederico das Neves

Pacta ed.III - América do Sul

O instável continente sul americano?

A América Central e do Sul voltam a fazer cabeçalhos por variados motivos tanto no plano nacional como internacional.

No que toca aos assuntos domésticos, a Venezuela é proeminente nos tópicos relacionados com o nosso país. Um avião da TAP foi retido no aeroporto de Caracas ao terem sido detectados cerca de 60 kg de cocaína entre a bagagem dos passageiros no check-in. Este avião tinha como destino o Porto e já foram detidas cinco pessoas, entre as quais funcionários da TAP e elementos da Guarda Nacional venezuelana. O avião acabou por chegar ao seu destino um dia depois. Existem mais de trinta portugueses a cumprir pena ou à espera de julgamento nas prisões venezuelanas devido ao tráfico de narcóticos.

Outra questão sobre a qual nos devemos debruçar diz respeito à presente instabilidade no Chile. A situação político-económica tem levado milhares de pessoas para as ruas exigindo melhor saúde, mais educação e apoios para os idosos. Nesta demonstração popular 450 pessoas foram detidas e instaurou-se a indignação aquando do lançamento de gás lacrimogéneo para dispersar os populares. Apesar deste país ter uma das mais fortes economias da região, aumenta o descontentamento perante o governo do Presidente Bachelet.

Do lado atlântico, devemos sublinhar o apoio brasileiro ao G13. Celso Amorim, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil apoia a proposta de Nicolas Sarkozy para o alargamento do G8, alegando que é impossível arredar potências como a China e o Brasil das grandes decisões sobre a economia mundial. O G8 é actualmente constituído pelo Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Grã-Bretanha e Estados Unidos e o alargamento abrangeria cinco das maiores economias emergentes: China, Índia, México, África do Sul e Brasil.

Como última nota, a América do Sul encontra-se em época de tempestades tropicais, causando já mortos, feridos e desalojados. Os danos materiais ascendem a vários milhões de euros, tendo sido destruídos alguns importantes resorts turísticos no México. É então de esperar alguma instabilidade político-social, pois em alturas de “estado de sítio” é sempre difícil para as autoridades impôr a ordem de modo a que todos respeitem os direitos e liberdades dos outros evitando a imposição da “Lei do Mais Forte”.


Catarina Falcão

Pacta ed.III - América do Norte

Setembro, mês de balanços

É comummente aceite a premissa de que o mundo mudou no dia 11 de Setembro de 2001. Resta agora, a cada ano que passa, avaliar os resultados das reacções a esse dia fatídico numa tentativa de compreender essa mudança.

O 11 de Setembro, assim como os ataques terroristas de Março de 2004 em Madrid e Julho de 2005 em Londres, acordaram os que não viveram conscientemente os conflitos quentes e frios do século XX. Estes acontecimentos despertaram-nos para a necessidade de nos mantermos alertas, de não menosprezarmos o medo e de não esquecermos que a segurança é um valor máximo. Tendo estes factores em mente os EUA e os seus aliados decidiram que mais vale prevenir do que remediar. Seguindo esta lógica e com base na aparente estabilidade das democracias ocidentais, foi enfatizado o benefício para a segurança global que decorreria de implementar noutras partes do mundo o modelo democrático ocidental. Para alguns seria assim atingido o expoente máximo da humanidade. Para outros tratar-se-ia de um atentado à diversidade humana numa tentativa de massificação a todos os níveis.

O 11 de Setembro tornou-se então numa justificação fácil para acções levadas a cabo em nome da segurança que de outra forma poderiam ser vistas como imperialistas ou mesmo criminosas. Em Março de 2003 foi o que levou 75% dos norte-americanos a apoiar a invasão do Iraque segundo uma sondagem do USA Today/Gallup. Esteve também na origem da mudança de posição do Vice-Presidente Dick Cheney. Em declarações de 1994, enquanto Secretário da Defesa, mostrou-se claramente contra a invasão invocando os factos de que os EUA estariam sós colocando-se numa situação extremamente difícil e de que não saberiam de que forma substituir o regime de Saddam Hussein. O 11 de Setembro foi a razão pela qual o agora Vice-Presidente Dick Cheney se transformou num dos maiores apoiantes da invasão.

Setembro de 2007 fica então marcado pelo balanço da invasão do Iraque, sobretudo pelo balanço da escalada do número de militares norte-americanos no Iraque que teve lugar no início deste ano. Esse balanço surgiu na forma das declarações prestadas no Congresso norte-americano pelo general David Patreus e pelo embaixador norte-americano no Iraque, Ryan Crocker. Nessas declarações foi apresentado um balanço positivo exemplificado pela redução da violência sectária em comparação com dados de Dezembro de 2006 e pela aliança entre as tribos sunitas da província de Anbar e os soldados norte-americanos na luta contra a Al-Quaeda. Estes factos têm no entanto de ser considerados cuidadosamente na medida em que seria ilusória a ideia de que a situação no Iraque está perto de ficar resolvida.

A invasão do Iraque mantém-se no centro do debate político influenciando sobretudo as campanhas dos candidatos às Primárias Norte-Americanas. O público norte-americano e os seus políticos dividem-se assim entre as exigências de uma retirada e as evidências de uma instabilidade que sem a presença das forças norte-americanas poderia atingir proporções ainda mais alarmantes.


Mónica Dias

Pacta ed.III - África

O Ciclo Vicioso de África

No fim do mês de Agosto as chuvas torrenciais começaram a inundar uma grande porção do continente africano. A 25 do mesmo mês, no Sudão chamaram-lhes as “maiores cheias de que há memória”. E desde então as cheias afectaram, segundo a Nações Unidas, 17 países e levaram a mais de 1,5 milhões de deslocados. Num arco que se estende do Senegal ao Quénia poucos foram os países que foram poupados, contando-se já mais de 270 mortos.

Na última semana os níveis das águas começaram a baixar e o pior parece ter passado. Não é mais que um “parece”, uma vez que a crise só agora começa a ganhar reais proporções. Com grande parte das plantações e reservas alimentares destruídas, estes países começam a preparar-se para uma crise alimentar de grandes proporções. Apesar dos esforços de organizações como a FAO, a ajuda alimentar que já está a ser distribuída não será suficiente. As previsões mais optimistas não esperam colheitas antes do mês de Maio. A juntar à futura fome, ao excesso de água e às péssimas condições sanitárias emergem as condições ideais para as grandes epidemias de cólera e malária que se anunciam.

A acompanhar as cheias no Sudão um Novo surto de ébola foi detectado na República Democrática do Congo. Responsável já pela morte de 174 pessoas, os primeiros sintomas da actual epidemia (febre, hemorragias e diarreia acompanhada de sangue), surgiram em Abril deste ano. A OMS confirma ainda outros nove casos na região doença, que mata 80% daqueles que infecta, tem assim o seu segundo surto no país num espaço de doze anos. Pela primeira vez, a 400km do actual surto, deixou cerca de 200 mortos antes de ser travada. Altamente contagiosa e sem cura conhecida a ébola é uma das grandes ameaças para a saúde mundial, talvez maior que a gripe das aves. Tanto assim que os médicos sem fronteiras belgas, entre outros disponibilizaram de imediato uma equipa de 12 especialistas para ajudarem a conter a perigosa epidemia.

É então de esperar uma grande instabilidade no continente africano, apesar da luta contra o subdesenvolvimento continuar completamente dependente de uma economia assente na exportação de matérias primas que advém do seu subsolo. Como é óbvio, se estas exportações diminuirem, vão diminuir as capacidades monetárias dos cidadãos africanos e consequentemente as suas medíocres condições de vida, contribuindo para o alastrar de doenças como as que acima foram referidas.


Jorge Wahnon Ferreira

Pacta ed.III - Europa

Europa: Grande Portugal

Quando falamos na Europa torna-se imprescindível falar do papel que Portugal, pequeno país situado na cauda da Europa tem vindo a assumir nos últimos meses.

Será então agora, após termos assumido a Presidência da União Europeia, que vamos restabelecer a “Influência” que perdemos após a morte de D. Sebastião? Espero que sim, e como Português que sou tenho a obrigação moral de acreditar no meu país. O “engenheiro” José Sócrates após a sua tomada de posse afirmou que vai lutar para conseguir "Uma União mais forte para um mundo melhor". Esperemos que assim seja, pois sabemos que apesar de ser melhor um país governar-se autonomamente, não podemos ser “eurocépticos”, isto é, o facto de pertencermos à União Europeia facilita-nos em muito a vida, quer a nível económico, político, social, pois não estamos em posição de desperdiçar qualquer tipo de ajuda.

Portugal deve então continuar o Programa, em vigor desde Janeiro de 2007, elaborado pela Alemanha e a Eslovénia tendo-o como base operacional. Penso que este deve ser o segredo do sucesso da Presidência Portuguesa, aproveitar o trabalho já feito e aperfeiçoa-lo, não incorrendo em decisões ou políticas tais, que só vêm dificultar a aplicabilidade dos principais objectivos de uma “União” deste tipo.

Nesta cruzada Portuguesa a questão dos Balcãs Ocidentais tem sido muito importante. Desta forma no dia 18 de Setembro, comemorou-se a Cerimónia de assinatura conjunta dos Acordos relativos a vistos e readmissões com a Albânia, a Bósnia e Herzegovina, a Antiga República Jugoslava da Macedónia, Montenegro e a Sérvia, demonstrando a preocupação da EU na estabilização e implementação das reformas indispensáveis para a aproximação destes pequenos e instáveis países na UE, tentando estabilizá-los para que tenham um futuro melhor, tentando pôr de lado todos os nacionalismos que nas mais das vezes prejudicam as negociações entre países vizinhos.

Concluindo, esperamos que os “cruzados portugueses” demonstrem com valentia e competência que ainda somos um grande país e que ainda somos capazes de tomar as rédeas de uma Europa cada vez mais “Unida” a nível político-jurídico, mas com notáveis diferenças sócio-culturais.


Jorge Piteira Martins