ENERI - PORTUGAL

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1º ENCONTRO de ESTUDANTES de RELAÇÕES INTERNACIOANIS

domingo, 29 de abril de 2007

Tertúlia sobre a Presidência do Conselho da União


Caros amigos,

O CIARI vai realizar a sua 50ª tertúlia no próximo dia 15 de Maio de 2007, em Lisboa, na Livraria Buchholz.

Convidamos a participar neste evento que terá o tema: " No centro do palco europeu: Portugal e a Presidência do Conselho da União".

Data: Terça-feira, 15 de Maio às 21h00.

Local: Livraria Buchholz, Lisboa, R. Duque de Palmela, 4 (próximo do Marquês de Pombal)

Oradora: Alice Cunha

Para inscrição bastará responder a este email ou enviar mail para mail@ciari.org>mail@ciari.org.

Contamos com a sua presença!

CIARI
www.ciari.org

sábado, 28 de abril de 2007

O Irão e o seu Papel na Região - Conferência











Conferência
"O Irão e o seu Papel na Região"



Moderador: Prof. Catedrático Doutor Helder Santos Costa
Orador: Sua Excelência, Mohammed Taheeri, Embaixador da República Islâmica do Irão

8 de Maio de 2007


15h30m
Sala 6 do Piso 1


Com o apoio do:
NERI

terça-feira, 24 de abril de 2007

IPRI com Curso de Verão "Política e Religião"

O Instituto Português de Relações Internacionais, da Universidade Nova de Lisboa, anuncia a abertura do período de inscrições para os seus cursos de Verão.
Enquanto parceiros, o NERI recomanda a participação a todos os alunos interessados neste evento, subordinado ao tema "Política e Religião". Este Curso decorrerá entre os dias 9 e 13 de Julho, e de seguida apresentamos os pormenores referentes ao dito.



O IPRI-UNL e a Câmara Municipal de Óbidos organizam entre os dias 9 e 13 de Julho o Curso de Verão com o tema «Política e Religião». As inscrições já se encontram abertas.

09 | Julho | 2007 - 13 | Julho | 2007
Óbidos




Organização
IPRI-UNL
Câmara Municipal de Óbidos

Coordenação Científica
Prof. Doutor António Costa Pinto
Prof. Doutor José Esteves Pereira
Doutora Madalena Meyer Resende
Doutor Andrés Malamud



Programa Provisório

Segunda-Feira, 9|Julho|2007
9.00|Sessão de abertura
Telmo Faria, Presidente, Câmara Municipal de Óbidos
Carlos Gaspar, Director, IPRI-UNL

9.30|Religião e Regimes Políticos
Alfred Stepan, Universidade de Columbia
Manuel de Lucena, Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa

17:30|Conferência Inaugural

Terça-Feira, 10|Julho|2007
9.30|Movimentos Religiosos e Mudanças de Regime
Miriam Kunkler, Universidade de Columbia
Raquel Vaz Pinto, Instituto de Estudos Políticos – Universidade Católica Portuguesa

17.30|Mesa Redonda: Religião e Liberalismo
João Cardoso Rosas, Universidade do Minho
Manuela Franco, IPRI-UNL

Quarta-Feira, 11|Julho|2007
9.30|Modelos de Relação entre Estado e Igreja
John Madeley, London School of Economics and Political Science
Madalena Meyer Resende, IPRI-UNL

17.30|Mesa Redonda: A Querela da Constituição Europeia
José Pacheco Pereira, ISCTE
Francisco Sarsfield Cabral, Rádio Renascença

Quinta-Feira, 12|Julho|2007
9.30|A Igreja Católica e a Transição Portuguesa
Luís Salgado de Matos, Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Lisboa
António Matos Ferreira, Centro de Estudos de História Religiosa – Universidade Católica Portuguesa

17.30|Mesa Redonda: A Igreja Católica e a Revolução Portuguesa
Luís Moita, Vice-Reitor, Universidade Autónoma de Lisboa
Adriano Moreira, Universidade Católica Portuguesa
Mário Pinto, Universidade Católica Portuguesa
José Félix Ribeiro, Departamento de Prospectiva e Planeamento - Ministério das Finanças

Sexta-Feira, 13|Julho|2007
9.30|Religião e Relações Internacionais
Vasco Rato, IPRI-UNL
João Marques de Almeida, IPRI-UNL

12.30|Sessão de Encerramento
Telmo Faria, Presidente, Câmara Municipal de Óbidos
Carlos Gaspar, Director, IPRI-UNL




Download do Ficha de Inscrição: Aqui.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Convocatória para Assembleia Geral Extraordinária

Convocatória:

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas convoca, em conformidade com o artigo 18º dos Estatutos do NERI, todos os estudantes da licenciatura em Relações Internacionais para uma ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA que se realizará na Terça-Feira, 24 de Abril, pelas 14h30, na sala 3 do piso -1 deste mesmo Instituto.

Caso não esteja reunido quórum à hora marcada, a Assembleia dará início aos trabalhos 15 minutos depois da hora marcada, conforme o referido no artigo 19º dos Estatutos do NERI.


Ordem de Trabalhos:


1 - Informações e esclarecimentos URGENTES sobre a entrada em vigor do Processo de Bolonha;

2- Votação dos principais pontos definidos para a alteração curricular;

3- Outros assuntos;



Cumprimentos,
NERI

domingo, 15 de abril de 2007

Entrevista ao Professor Doutor António de Sousa Lara

Mais uma transcrição efectuada a partir do já inactivo antigo blogue do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais, desta feita uma entrevista ao Professor Doutor António de Sousa Lara, enquanto Presidente do Conselho Científico do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, assim como docente catedrático da mesma instituição.

Na sempre presente controvérsia à volta do Processo de Bolonha e suas repercussões no curso académico de Relações Internacionais, esta entrevista procura trazer alguma luz aos tópicos centrais numa discussão que tem estado em "cima da mesa" por largos meses.


NERI -Como está a ser implementado o Processo de Bolonha na licenciatura de RI?

António de Sousa Lara (ASL) - O curso de RI começou a sua revisão em sede de Bolonha em 2004, tendo sido o primeiro curso do ISCSP a fazer a revisão. Foi participado em primeiro lugar pelos alunos, e pelos docentes, desde o início, tendo sido acolhidas várias propostas que os alunos fizeram. Desde o princípio ficou claro que os alunos estão satisfeitos por ter no ISCSP o curso de RI que mereceu a melhor avaliação em termos absolutos no mercado nacional, e portanto nas equipas vencedoras não se mexe. A filosofia de base é esta, é melhorar o que está

NERI -Que alterações se irão verificar este ano lectivo nos vários anos do curso?

ASL - Neste ano lectivo, como sabem, o primeiro ano foi alterado em sede de Bolonha. No quarto ano está prevista a abertura de duas das especializações, em Diplomacia e Cooperação e em Segurança e Informações, desde que atinjam o número mínimo de 20 alunos, pelo que os alunos que o desejem deverão inscrever-se. No que diz respeito ao segundo ano, há uma proposta dos alunos para substituir 2 cadeiras anuais por 4 semestrais do novo currículo, que eu vou apresentar ao Conselho Científico já na próxima quinta-feira, e que espero que passe. Eu como Coordenador apoio.

NERI -E no próximo ano lectivo de 2007/2008?

ASL - No próximo ano lectivo o coloca-se essencialmente o problema das equivalências e transferências. Isso no primeiro ano correu bem, não vejo motivo para que não possa ser também assim porque da parte do Coordenador têm toda a boa vontade para haver uma transição suave, embora tenha que haver um esforço de adaptação único, que não volta a repetir-se.

NERI -Qual será o impacto deste Processo na projecção para o exterior da licenciatura de RI, principalmente no que diz respeito ao mercado de trabalho?

ASL - Como se pode ver pelas médias, estamos neste momento com a primeira média do Instituto e ficámos praticamente empatados com a Universidade Nova, o que significa que os nossos alunos são a nata das Relações Internacionais. Só para dar um exemplo, dos cerca de trinta finalistas que estão na carreira diplomática, mais de metade são do ISCSP. Penso que a aposta que os alunos e nós fizemos no 4+1, é a aposta da profissionalização dos licenciados, isto é, ao contrário do que vai acontecer com alunos de licenciaturas de 3 anos, os nossos alunos vão sair competentes para exercer as especialidades logo a seguir à licenciatura. É portanto uma aposta da qual não devemos sair. Houve um recuo em Espanha para o 4+1, onde já estavam a implementar o 3+2, e o futuro vai ser este pois os alunos irão ter que concorrer no mercado de trabalho com licenciados em Direito, com pessoas que não vão ceder a esse tipo de formatação, e eu quero que os meus alunos continuem a brilhar como brilham até agora, e para tal temos que fazer um esforço conjunto para que isto se mantenha.

NERI -Como estão os Professores a encarar este processo no ISCSP?

ASL -Os Professores de RI colaboraram todos muito positivamente e apoiaram todos eles a revisão. Não foi difícil chegar a um consenso, porque isto começou há muito tempo, tendo sido um Processo muito debatido e dialogado e com uma grande cooperação por parte dos alunos com os Professores, estando todos a colaborar no sentido da mudança. Estamos a fazer um grande esforço no sentido de evitar redundâncias e repetições, para que cada cadeira constitua uma mais valia no sentido da formação dos alunos, não havendo espaço para matérias que não interessam nada, como até aqui se verificava em algumas áreas do curso, e foi por isso mesmo, e tendo ouvido os alunos, que as retirámos.

NERI -Tendo em conta os fracassos verificados noutros países, o que pensa sobre este Processo?

ASL -Penso que a História vai-nos dar razão. Tal como referi, em Espanha houve um recuo da administração em relação ao sistema 3+2 que já estava a funcionar em algumas Universidades, para que se possa enveredar em termos genéricos pelo 4+1, como aliás foi anunciado publicamente. Também em Itália várias Universidades estão a recuar outra vez para o 4+1, porque percebem perfeitamente que um curso de 3 anos é apenas um bacharelato ao qual foi alterado o nome. Uma coisa não passar a ser outra realidade diferente só porque se muda o título, e um bacharelato não permite uma capacidade idêntica à que é oferecida a outros alunos formados por outras escolas, com cursos de 4 e 5 anos. Portanto penso que a História vai-nos dar razão, mas o mercado de trabalho é que vai julgar a opção que se fez, que no meu caso é igual à dos alunos, acho que devemos ir pelo nível de exigência de 4 anos de licenciatura.

NERI -Quais são os projectos para a licenciatura de RI nos próximos anos?

ASL- Implementar um novo Mestrado relacionado com a formatação em sede de +2, já que os alunos do ISCSP com a licenciatura de 4 anos fazem apenas 1 ano e a dissertação, e um novo projecto de Doutoramento em Relações Internacionais, que espero tenha economia de escala com os outros Doutoramentos do ISCSP.
Para além disso temos que evoluir por dois novos caminhos, que custe o que custar são fundamentais para os alunos de RI. O primeiro é a introdução sistemática da Simulação em todas as cadeiras onde isso seja possível, e em segundo lugar, a criação de competências exteriores de performance dos próprios alunos. Não é só o estágio que o garante, que embora seja uma belíssima fórmula para este efeito ainda não é o suficiente. Devemos incentivar métodos que têm a ver com a aplicação de outro tipo de capacidades como o enfrentar e falar em público, com actividades que se vão buscar provavelmente a outro tipo de áreas que eu gostaria que se valorizassem no ISCSP.
Para além disto pretende-se ainda criar um centro de todos os diplomatas licenciados pelo ISCSP. Em princípio será o Embaixador Knopfli, que está jubilado, a dirigir este projecto que vai reunir no ISCSP um centro com todos os diplomatas jubilados, de carreira e em efectividade de funções, para criar aqui um núcleo de pessoas que possam aconselhar e auxiliar os mais novos na progressão da sua carreira.
No que respeita às saídas profissionais e a nível de estágios, vai ter que ser ampliado também o naipe de empresas e de serviços para que os nossos alunos realizem estágios nas áreas das respectivas especializações quando essas forem aprovadas.
Em termos genéricos é preciso mudar o sistema de avaliações e mais uma vez conto com os alunos para serem criativos no sentido de saber como é que o novo sistema de avaliações se vai adaptar à nova formatação do curso em sede de Bolonha.

Entrevista ao Professor Doutor José Adelino Maltez

É do interesse geral a transcrição de uma entrevista realizada com o Professor Doutor Adelino Maltez no decorrer deste ano lectivo de 2006/07, pois trata de temáticas cuja pertinência não deixa de ser actual.

Como contributo a um melhor entendimento do estado da nossa licenciatura, quer à luz do "Processo de Bolonha" como também em relação ao lugar das Relações Internacionais no vasto leque de Ciências Sociais, é importante que a transcição fosse realizada. A saber:


NERI - Qual a sua opinião sobre a reformulação da licenciatura em Relações Internacionais que está a ser levada a cabo?

José Adelino Maltez (JAD) - Dou toda a minha solidariedade institucional ao coordenador e meu colega que a protagonizou, mas como não sou construtivista e desconfio bastante das engenharias e dos chouriços curriculares, muito principalmente quando tais modelos são levadas a cabo por desafios decretinos, apenas gostaria que não inventássemos o que já está inventado, nem descobríssemos o que já está descoberto.

Daí que , sobre a matéria, prefira tratar da árvore que me encomendaram, uma disciplina semestral de introdução e metodologia das relações internacionais e outra de história do presente. E nisso estou a trabalhar entusiasmadamente com excelentes colaboradores, treinando até o processo como professor visitante na Universidade de Brasília que, no começo da década de oitenta, tanto influenciou o nosso modelo de ensino das relações internacionais.

Aliás, os acasos procurados dessa cooperação universitária, fizeram com que não estivesse presente na reunião do conselho científico que optou pela presente reforma, o que faz de mim uma espécie de abstencionista institucional, posição que, felizmente, não coincide com a de Pilatos.

Mas confesso que preferia ver a questão do ensino das relações internacionais numa perspectiva supra-endogâmica, como um problema da universidade portuguesa no seu conjunto e como um problema do próprio Estado Português na sua necessidade de recurso a cientistas e a profissionais na matéria. E aqui, julgo que vivemos no tradicional modelo decadentista do Portugal dos Pequeninos com a mania das grandezas, dado que não temos matéria prima de recursos científicos para tantas escolas e escolinhas de relações internacionais, tanto nas Universidades públicas como nos diversos ministérios.

Deveríamos concentrar esforços, até para assumirmos que quem nos paga é o contribuinte, garantindo um só sistema público de ensino da matéria, com a cooperação das áreas dos negócios estrangeiros, da defesa, da inteligência e da economia, através de uma sã concorrência, como fazem outros países da União Europeia e até potências bem mais ricas do que nós, de maneira a que a matéria pudesse sair deste nível quase terceiromundista, onde mandam os tradutores em calão, feitos vedetas mediáticas do comentarismo ou subsidiados por potências que nos querem colonizar.

Julgo que falta muito patriotismo científico ao nosso sistema universitário púbico de relações internacionais e por isso nem sequer conseguimos ter os necessários estrangeirados que nos permitiriam aceder à padronização internacional destas matérias. E julgo também que abundam reformadores que precisavam de uma valentíssima reforma, dado quem não parecem preocupar-se com a empregabilidade dos formandos, para não falarmos em certas sumidades que nem sequer sabem o que é viver a aventura de nos últimos vinte anos terem surgido novas gerações que querem "atravessar o limiar da esperanaça". Mas colaborarei com todos os que querem continuar a ter no ISCSP a melhor escola de relações internacionais do país e apoiarei especialmente os que permitirem que os nossos alunos já doutores por outras escolas nacionais e estrangeiras regressem à casa mãe através de urgentes concursos públicos para docentes, a fim de garantirmos o dinamismo da concorrência. Navegar é preciso para que possamos a continuar a viver como pensamos.

NERI - Segundo algumas opiniões, as Relações Internacionais não são uma ciência pois carecem de metodologia própria. Enquanto académico e decano da nossa área de estudo, que comentário faz a esse respeito?

JAD - Não subscrevo tal perspectiva, habitualmente emitida por membros de uma certa seita científica quando assumem a respectiva derrota no contexto da fertilização teórica. Relações internacionais são aquilo que os internacionalistas fazem, conforme os modelos das associações profissionais da área e os "rankings" dos mais citados no processo. É desta opinião comum dos que pensam de forma racional e justa sobre a matéria que deriva o objecto formal, ou metodologia da ciência. Infelizmente, a ciência das relações internacionais em Portugal ainda não está imune a certas doenças infantis e algumas borbulhagens adolescentes, pelo que ela tem sido campo de colonização de outras áreas científicas que nela coincidem quanto ao objecto material, como, por exemplo, aconteceu com a composição das comissões de avaliação do sector e como se vislumbra no nascimento de novas unidades universitárias, onde parecem fazer desaguar especialistas das antigas Faculdades de Letras, contribuindo para que a imagem da ciência se aproxime daqueles híbridos interdisciplinares com muito turismo científico e algumas interferências da própria partidocracia.

NERI - Na sequência das comemorações dos Cem Anos de Investigação e Ensino em Ciências Sociais e Políticas do nosso Instituto, considera que o que se tem produzido na área das RI no ISCSP é suficiente para continuar a fazer Escola?

JAD - Não gosto participar em cerimónias dos discursos de justificação do poder e decidi abster-me, porque ainda não chegou a altura de nos libertarmos de certas sombras de um passado recente que até não deixam que se faça uma leitura integral de todo o passado, nomeadamente o da monarquia liberal e da Primeira República. Como o actual poder acha conveniente continuar apenas a dialogar com a fase salazarista da escola, apesar de ter sido convidado para participar no discurso, prefiro ir plantar macieiras nos dias de tais cerimónias.

O que escrevi sobre a matéria, em livros que não puderam ser publicados no ISCSP, obrigam-me à coerência do silêncio. Mas estou totalmente disponível para me associar a qualquer cerimónia que peça perdão a quem, amando a escola e sendo figura relevante da ciência em Portugal, dela foi recebeu a perseguição e a própria expulsão da função pública. Enquanto não esconjurarmos estes fantasmas da nossa vertente autoritarista, não conseguiremos ganhar o respeito dos homens livres. Enquanto desconhecermos quem efectivamente foi Luciano Cordeiro, Álvaro de Castro, Jorge Dias, Alfredo de Sousa, D. António Ribeiro, José Hermano Saraiva, Manuel Belchior, Vitorino Magalhães Godinho ou Luís Sá, estamos a tomar um partido que não é o meu e a ter a ilusão de escrevermos uma pseudo-história dos vencedores. Se me quiserem continuar a qualificar como dissidente, tenho muita honra no epíteto. Eu não vou por aí.

NERI - Qual a sua reacção face ao anunciado investimento do governo em ciência e tecnologia?

JAD - Depende do conceito de ciência e de tecnologia. Parece-me que o conceito dominante nos discursos do poder estabelecido, tanto a nível do governo como dos reitores-primazes, ainda balbuciam as cartilhas cientificistas de Augusto Comte, olhando as ciências sociais e humanas como ciências ocultas a que de vez em quando se pede um discurso de cereja para ornamentar o bolo de uma decadência que nos atira para a periferia do desenvolvimento humano.

Preferia que copiássemos o modelo existente nas potências dominantes, onde não me parece que considerem como simples ideologia o tratamento das ciências do espírito. Até parece que se esquecem que cibernética, conforme o conceito matricial de Norbert Wiener, vem da palavra grega que quer dizer governo e nasceu num ambiente de teoria dos sistemas gerais, quando se procurava uma aproximação das ciências ditas exactas às ciências ditas sociais. Basta repararmos como se escolhem os avaliadores e os distribuidores de subsídios estatais para a área das ciências sociais, onde não se obedece à hierarquia conquistada pela via dos concursos públicos, preferindo-se o amigo do partido ou a figuara mediática, ao contrário do que acontece nos países civilizados, onde o regime da cunha já há muito foi superado por um sistema minimamente objectivo.

NERI - Portugal irá assumir a presidência da União Europeia no segundo semestre do próximo ano; quais as suas expectativas para esses seis meses?

JAD - Espero que se continue a garantir a nossa independência através de uma sábia e experimentada gestão de dependências. Como já não somos um quintal murado, mas uma simples província do euro, com os dois principais partidos portugueses vinculados aos programas europeus dos partidos multinacionais de que são meras secções nacionais, o nosso espaço de manobra é bem estreito, dependendo apenas do bom senso dos governantes e da capacidade técnica dos assessores. Como confio no patriotismo dos nossos governantes e até conheço muitos alunos da escola que circulam neses meios tecnocráticos, tenho apenas expectativas realistas de quem sabe que não vamos cair na ratoeira dos aventureirismos. Infelizmente não vislumbro sinais que nos libertem do presente desencanto sistémico que nos vai dissolvendo a cidadania, em nome da "tirania do statu quo " e do modelo TINA (there is no alternative).

NERI - Que balanço faz dos primeiros dez anos de CPLP?

JAD - Um bom espaço para o exercício da retórica de um lusotropicalismo "aggiornato", visando a alimentação das brasas dos Estados Unidos da Saudade, dado que ainda não é possível gerir factores de poder internacional adeauados ao sonho dos povos que integram a comunidade. Porque tudo depende do Brasil e este país ainda não tem direito a ser potência liderante do grupo, dado que ainda não abandonou o isolacionismo de Estado-Continente e não ouviu as vozes dos portugueses, angolanos e moçambicanos que clamam pela respectiva "Weltpolitik". Quando o Brasil acordar, Angola tiver direito à paz e ao desenvolvimento e outros puderem participar, julgo que Portugal não pode renunciar à sua função de irmandade. Até a União Europeia precisa desta dimensão universal de Portugal. Apenas espero que nessa altura ainda haja portugueses treinados para a cultura do abraço armilar.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Sessão de Abertura


Caro(a) visitante,

Neste novo espaço de informação damos como aberto o novo portal digital do Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais (NERI), do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) , Universidade Técnica de Lisboa (UTL). Desta forma, e de acordo com as directivas da administração em funções, foi extinto o anterior blogue do NERI por a sua reformulação e actualização implicar um novo projecto feito de raiz. De ora em diante, este será o espaço público oficial do NERI, na blogosfera.

Este blogue foi criado com o intuito de permitir uma maior proximidade entre o NERI e a comunidade estudantil de Relações Internacionais, não só do ISCSP, como também através do ISCSP para as várias outras comunidades académicas de Relações Internacionais no resto do País.


Esperamos, pois, que o novo formato e navegação vá de encontro às vossas necessidades e interesses, e que aqui encontrem um espaço de informação eficiente e pertinente.
Sinceramente,
NERI